O mundo Moderno se modernizou bastante... Essa "modernização" pressupõe, para o Mundo "moderno", a negação das tradições, dos costumes e de nós mesmos.
Pensamos nessa questão a partir das relações de gênero. No século XIX, homens e mulheres tinham as suas relações permeadas pela hierarquia social, pelo nome de sua família para que a continuidade das famílias fosse assegurada pela união dos herdeiros. A sociedade publicamente demonstrava o seu direito de exclusão para que a hibridez não fosse possível.
Os homens em sua maioria tinham mais problemas de convencimento com os pais da garota do que com ela mesma. O amor era muitas vezes unilateral e o desejo feminino era a servidão aos seus maridos, porque assim eram educadas e assim, na maioria das vezes, concordavam que a sociedade fosse, pois ao serem mães, principalmente de meninas, reproduziam este modelo.
Não podemos afirmar que esses relacionamentos na sociedade Ocidental não fossem contidos de amor, de necessidade do outro, de companheirismo, de uma relação reciproca. Shakespeare já nos relatava as possibilidades do amor no século XV e XVI, e portanto, a questão é que o amor não era uma instituição suficientemente importante para vir, no Oitocentos, em primeiro lugar.
No século XX essa quadro muda, mas não totalmente. O desejo da mulher já não era a estabilidade, a casa, os filhos, as coisas miúdas do dia-dia. A mulher descobre o mundo, descobre a diversidade dos sujeitos, a dinamização das várias sociedades, as culturas, os povos, os monumentos e se encanta por isso. Coisas que somente ao homem era possível, é ofertado para a mulher..
O problema é que o homem concilia a estabilidade pela vontade de conhecer o mundo.
A mulher vai mas não quer mais voltar, o futuro acabou por se tornar a melhor justificativa para o seu presente.. " no futuro vou ter uma família, no futuro vou ter uma casa" e esse futuro sempre é alargado para que nunca chegue.
A questão é que muito dessa nova mulher é formado pela antiga. Seu desejo de amar não foi cerceado e sua busca pelo homem perfeito está presente.
Uma coisa muito interessante ocorreu nesses últimos meses na minha vida. Conheci um cara, o perfeito "macho", que pensa em si, vive os seus valores, tem a sua vida, medo de se apegar e para se proteger, procura viver as relações tão intensamente que consegue vivê-las ao mesmo tempo em que as desprezava. Nunca pensou portanto, em ter uma família, em ser referência de alguém, de estar relacionado com o outro. Seus amigos sempre foram suas relações mais longas e as mulheres sua vivência mais curta.
Esse cara, encontra de maneira inusitada uma menina, uma mulher moderna. Formada, com pós-graduação, com experiência de vida, com conhecimento de outras culturas, ela tem na palavra "liberdade" a tônica da sua vida. Como "nosso" "macho" gosta de viver o momento em sua intensidade e como a mulher moderna só no futuro tem anseios de constituição familiar eles, no primeiro momento, combinam pergeitamente.
Como um Romeu e Julieta Moderno essas duas almas se amam, se gostam, se curtem e se prometem porque percebem que na vida há algo mais do que ser "moderno", que as tradições são válidas e que estar junto é venturoso.
O "nosso macho" se desprende um pouco mais de sua machesa e almeja o sonho outrora feminino de ter uma casinha em algum lugar do nosso planeta e poder compartilhar sua vida com outrem. "Nossa menina" sofre, porque vive o dilema de trocar a essência de sua vida, "a Liberdade" pela "monotonia" de estar em um casa, de ter filhos de ver o futuro encurtado.
A questão é que "liberdade" necessariamente não estabelece relação com ter um relacionamento ou a capacidade de ir e vir. Somos livres em expressar o que sentimos, somos livres por não nos censurarmos, somos livres porque podemos fazer escolha e a dor da liberdade não poder ser maior que a dor do amor.
Camões dizia que o amor é um estar-se preso por vontade, porque essa prisão é uma nova forma de encarar a liberdade.
Este homem e esta mulher cotidianamente se prometem mas não se dispõe a se entender. Ele porque somente vê uma solução radical de estar ou não junto como, se na vida as coisas acontecessem de maneira tão polar; e ela por pensar que há no futuro relações mais fortes e bonitas do que no presente
Talvez assim como Romeu e Julieta, um dos dois tenha que tomar o veneno para o outro entender a carência e a falta na sua vida, da outra vida, mas ao contrário do nosso drama secular, o veneno não é a liberdade, nem a confiança, o veneno está em pensar que o futuro dá conta de resolver todas essas coisas quando na verdade ele é o próprio veneno
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Apenas para pensar o texto do pensador
Esse texto é de um cara identificado como pensador. Na verdade, por conhecê-lo, o pensador é muito mais um observador sensato das situações que lhe incomoda do que um agente revolucionário do conhecimento. Sua virtuosidade está na sensiblidade de identificar o que lhe cerca, e faz isso com músicas, com poesia , com rimo e poesia, algo como um RAP, um rap do que se vive, do que se vê e sobretudo do que se sente ....
Pense, segundo o pensador esse alto pensamento...
Não posso mais sair
pois o açoite do protagonista do jornal,
da tv, da revista, machuca, destrói,
constrói uma massa em ruínas.
Que eleva o pavor, o horror, antipatia.
O aço que nos separa
eleva a grade e transforma a bala
O prédio, o projétil
O relógio, o ódio
O lamentar, o descaso
O perigo, o semáforo
A criança, o pivete
O chiclete, a gilete
O sonhar, o assalto
Dizem assim:
O que vejo aqui do alto?
Os esnóbes, o asfalto
O carro, o "rolex"
O celular, a internet
O conforto, a cidade
O crescer, a faculdade
O que quero e nunca terei
aqui me sinto “o rei”
posso, mando e desmando
não sou demônio e nem santo
mas aos seus pés, não cairei
jamais serei o que espera
este é o início da guerra
que não pedi, mas acatei.
Às vezes sonho, às vezes até reclamo
ao mesmo tempo proclamo, minha República
aqui em cima, longe da vida, longe do mundo
para você sou imundo, sou escória, sou chacina.
Mas para dona Maria ou seu José
sou o pão de cada dia,
tem quem respeite e até admire
o herói da favela, que a vida abomina.
Como julgar uma realidade que não a minha?
leio a miséria e nas entrelinhas,
alguém querendo ajudar.
não sou louco ao pensar que
o rei da favela é minha própria imagem
longe da cela que escolhi habitar.
Pense, segundo o pensador esse alto pensamento...
Não posso mais sair
pois o açoite do protagonista do jornal,
da tv, da revista, machuca, destrói,
constrói uma massa em ruínas.
Que eleva o pavor, o horror, antipatia.
O aço que nos separa
eleva a grade e transforma a bala
O prédio, o projétil
O relógio, o ódio
O lamentar, o descaso
O perigo, o semáforo
A criança, o pivete
O chiclete, a gilete
O sonhar, o assalto
Dizem assim:
O que vejo aqui do alto?
Os esnóbes, o asfalto
O carro, o "rolex"
O celular, a internet
O conforto, a cidade
O crescer, a faculdade
O que quero e nunca terei
aqui me sinto “o rei”
posso, mando e desmando
não sou demônio e nem santo
mas aos seus pés, não cairei
jamais serei o que espera
este é o início da guerra
que não pedi, mas acatei.
Às vezes sonho, às vezes até reclamo
ao mesmo tempo proclamo, minha República
aqui em cima, longe da vida, longe do mundo
para você sou imundo, sou escória, sou chacina.
Mas para dona Maria ou seu José
sou o pão de cada dia,
tem quem respeite e até admire
o herói da favela, que a vida abomina.
Como julgar uma realidade que não a minha?
leio a miséria e nas entrelinhas,
alguém querendo ajudar.
não sou louco ao pensar que
o rei da favela é minha própria imagem
longe da cela que escolhi habitar.
Quanto mais ignorante, mais rico!!???
Em alguma semana perdida do ano de 2007 me deparei com uma cena interessante. Um homem, mais ou menos 35 para 40 anos, desce de uma "Pajero Full" um carro avaliado em cerca de R$ 220.000.00 reais, com seu quite vestimenta brooksfield, aparentemente comprado à vista, e entra em uma escola escola de classe média alta que atende o Educação Infantil e Ensino Fundamental I e II, para negociar os 5 primeiros meses da escola dos seus dois filhos que estavam em atraso. Sem querer presenciar aquela cena, mas tendo que ficar na mesma sala que este cidadão, observei a seguinte argumentação " as coisas estão difíceis"... No mesmo instante entra o menino, com a "tia", provavelmente seu filho, pedindo dinheiro para o lanche. Prontamente, como um bom pai, o senhor retira R$20,00 e oferta para uma criança de mais ou menos 2 anos que é orientada da seguinte maneira " compre o seu lanche e o resto compre balas para você e seus amiguinhos...".
A dívida desse generoso pai rondava a casa dos R$ 2000,00 e o pai redundante reafirmava a sua impossibilidade de quitar a escola dos seus filhos...
Ora, o quite "ostentação" - carro + vestimenta + lanche do filho - , não me permitia entender como aquele senhor devia dois mil se isso era aproximadamente o valor das suas calças e de seus sapatos. Questionado justamente sobre esse paradoxo, brilhantemente ele afirma " na vida estabelecemos prioridades e como a escola não pode questionar nem punir meus filhos de nenhuma maneira, não vou pagar a escola. Próximo ano matriculo-os em outra escola e vocês nada podem fazer sobre isso".
No mesmo instante comecei a tentar diferenciar na minha mente a relação entre esperteza e conhecimento, se um anulava o outro ou se havia uma igualdade possível entre estes.
O senhor estava procedendo de maneira muito esperta até, criativa, digamos assim. Poderia valer-se desse subterfúgio para educar suas crianças até o final do Ensino Médio, inclusive poderia ensinar aos seus filhos como proceder na sustentação de um padrão de riqueza de "vidro", de aparências, que para ele, é mais importante...
Esse sujeito possivelmente sustenta esse padrão aparente porque essa é a única maneira de ser aceito em sua sociedade. Somos o que parecemos, o que aparentamos, o que mostramos ser.... Não somos o que somos enquanto sujeito, enquanto verdade. vivemos rodeados de máscaras, de virtualidades, de mentiras que são acordadas em sociedade.
O Capitalismo e a Modernidade foram muitos generosos conosco porque nos permitiu viver do nada, porque não precisamos ter,nem ser, mas apenas dizer que temos ou somos. Acabamos com a hipocrisia cristã de verdade, de uma verdade que nos salvará, de relações duradouras, francas, respeitosas.
Vivemos do efémero, do curto, do breve, do passageiro, do líquido, do disforme, do intenso, do provável, de tudo que outrora repudiamos e ,aceitamos isso, pois nos dizem que isso é que é importante nas relações interpessoais...
Os outros são mentirosos, ladrões, trapaceiros... nós somos justos, corretos e idôneos....
Os outros são errados. A escola está errada em cobrar, errada em expor o senhor bacana que todos adoram, livre de qualquer suspeita, correto e honesto pelo que veste pelo que dirige. A escola está certa em educar o filho de um senhor que vai apontar esse modo de vida como modelo a ser seguido por seu filho porque o certo e o errado está na sua autoridade de dizer que algo é certo ou errado.
Relativizamos nossas instituições, leis, regras, crenças pelo que a nossa elite julga ser importante e correto naquele momento.
Acreditemos, pois, na justiça da elite, na TV da elite, no Jornal da elite, nas novelas da elite, no carro da elite, nas leis da elite, no dinheiro da elite e nas esperanças da elite, porque um dia vamos querer ser elite, vamos querer participar do jogo e determinar as suas regras....
Parabéns para o senhor da Pajero, que provavelmente deve ter algum de seus filhos em alguma Universidade particular se formando em Direito, sendo uma guardião de nossas leis, um correto advogado que sempre estudou nos melhores colégios e Universidades pela capacidade impostora do seu pai.
Parabéns
A dívida desse generoso pai rondava a casa dos R$ 2000,00 e o pai redundante reafirmava a sua impossibilidade de quitar a escola dos seus filhos...
Ora, o quite "ostentação" - carro + vestimenta + lanche do filho - , não me permitia entender como aquele senhor devia dois mil se isso era aproximadamente o valor das suas calças e de seus sapatos. Questionado justamente sobre esse paradoxo, brilhantemente ele afirma " na vida estabelecemos prioridades e como a escola não pode questionar nem punir meus filhos de nenhuma maneira, não vou pagar a escola. Próximo ano matriculo-os em outra escola e vocês nada podem fazer sobre isso".
No mesmo instante comecei a tentar diferenciar na minha mente a relação entre esperteza e conhecimento, se um anulava o outro ou se havia uma igualdade possível entre estes.
O senhor estava procedendo de maneira muito esperta até, criativa, digamos assim. Poderia valer-se desse subterfúgio para educar suas crianças até o final do Ensino Médio, inclusive poderia ensinar aos seus filhos como proceder na sustentação de um padrão de riqueza de "vidro", de aparências, que para ele, é mais importante...
Esse sujeito possivelmente sustenta esse padrão aparente porque essa é a única maneira de ser aceito em sua sociedade. Somos o que parecemos, o que aparentamos, o que mostramos ser.... Não somos o que somos enquanto sujeito, enquanto verdade. vivemos rodeados de máscaras, de virtualidades, de mentiras que são acordadas em sociedade.
O Capitalismo e a Modernidade foram muitos generosos conosco porque nos permitiu viver do nada, porque não precisamos ter,nem ser, mas apenas dizer que temos ou somos. Acabamos com a hipocrisia cristã de verdade, de uma verdade que nos salvará, de relações duradouras, francas, respeitosas.
Vivemos do efémero, do curto, do breve, do passageiro, do líquido, do disforme, do intenso, do provável, de tudo que outrora repudiamos e ,aceitamos isso, pois nos dizem que isso é que é importante nas relações interpessoais...
Os outros são mentirosos, ladrões, trapaceiros... nós somos justos, corretos e idôneos....
Os outros são errados. A escola está errada em cobrar, errada em expor o senhor bacana que todos adoram, livre de qualquer suspeita, correto e honesto pelo que veste pelo que dirige. A escola está certa em educar o filho de um senhor que vai apontar esse modo de vida como modelo a ser seguido por seu filho porque o certo e o errado está na sua autoridade de dizer que algo é certo ou errado.
Relativizamos nossas instituições, leis, regras, crenças pelo que a nossa elite julga ser importante e correto naquele momento.
Acreditemos, pois, na justiça da elite, na TV da elite, no Jornal da elite, nas novelas da elite, no carro da elite, nas leis da elite, no dinheiro da elite e nas esperanças da elite, porque um dia vamos querer ser elite, vamos querer participar do jogo e determinar as suas regras....
Parabéns para o senhor da Pajero, que provavelmente deve ter algum de seus filhos em alguma Universidade particular se formando em Direito, sendo uma guardião de nossas leis, um correto advogado que sempre estudou nos melhores colégios e Universidades pela capacidade impostora do seu pai.
Parabéns
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Pensando o conhecimento para a violência
Olá a todos...
Me ocorreu em escrever algo sobre o caso do menino João Hélio agora que a imprensa não expressa mais a sua indignação com a violência exercida sobre essa família e a sociedade brasileira. Parece até romântico, cristão, pensarmos nas influências entre o "bem" e o "mal" no caso da violência nas grandes cidades no Brasil. O menino mal, carioca, nascido e criado em alguma favela do Rio de Janeiro, por sua maldade, por ter pacto com o cão e ser filho do diabo, resolve assaltar alguma família burguesa, de classe média do Rio naquela noite. Passado o túnel, aborda a família, e drogado, não percebe que o menino João Hélio fica preso ao cinto de segurança com metade do seu corpo para fora do carro. Mesmo escutando os clamores da mãe, não se importa com aquele motivo e cruelmente arrasta por 15 quilómetros a pequena criança. Crime bárbaro, revoltante, realizado por um menor.
No outro dia em TODOS os jornais esse fato vira notícia. O clamor da globo e de suas companheiras televisivas está em entender porque um jovem que comete tal crime não pode ser morto pelo Estado ou passar o resto da sua vida na cadeia. Antropólogos, cineastas e cientistas sociais dão sua opinião sobre o fato e claro, Arnaldo Jabor no jornal da noite culpa Lula pelo omissão no assassinato no menino.
O menor que matou o menino, descreve friamente o acontecido e termina seu depoimento dizendo que foi avisado que o menino estava sendo arrastado, mas gritava a todos que era um "Judas sendo malhado". Quão cruel esse menino, uma barbárie e nenhum pingo de arrependimento???
A questão talvez resida no fato que esse "menor" nunca teve a oportunidade que João Hélio teve, e muito provavelmente foi pelo acúmulo das classes burguesas, como a que os filhos do Roberto Marinho desfrutam nas ruas, ou melhor, nos céus do Rio de Janeiro com seus helicópteros, que o "Menor" secou seus sentimentos e banalizou o seu coração.
A hipocrisia da sociedade economicamente dominante, nos leva a pensar e comentar o fato quando esses dois mundos se encontram. O desejo da primeira é que os favelados morem para sempre em suas favelas, felizes em sues pagodes de final de semana como nos mostra a globo em suas novelas e que a sociedade carioca da elite curta o seu glamour comendo lagosta e longe dos morros. Nunca escutamos, e aí me incluo, os clamores desses jovens e talvez por isso perca a suas sensibilidades para serem ouvidos. Quando pegos pela Polícia baixam a cabeça e dizem "sim senhor !!", quando pegam as suas vítimas e as fazem baixar a cabeça regogizam-se, alimentam-se do seu efêmero poder, do seu pseudo-domínio e de sua breve liberdade....
Matamos o "MENOR" antes dele matar João Hélio, e se vivemos numa sociedade romântica e cristã, perdoemos seus atos, e como Deus mandou amar uns aos outros amemos o menor.
Esse discurso não reverbera porque as análises lineares são mais fáceis de serem divulgadas. Outros menores, outros meninos inocentes e outros crimes bárbaros virão.... porque continuamos matando nossos menores e localizando nossos demónios nas favelas e morros pelo Brasil e invocando os nossos anjos e heróis nas novelas das oito...
Me ocorreu em escrever algo sobre o caso do menino João Hélio agora que a imprensa não expressa mais a sua indignação com a violência exercida sobre essa família e a sociedade brasileira. Parece até romântico, cristão, pensarmos nas influências entre o "bem" e o "mal" no caso da violência nas grandes cidades no Brasil. O menino mal, carioca, nascido e criado em alguma favela do Rio de Janeiro, por sua maldade, por ter pacto com o cão e ser filho do diabo, resolve assaltar alguma família burguesa, de classe média do Rio naquela noite. Passado o túnel, aborda a família, e drogado, não percebe que o menino João Hélio fica preso ao cinto de segurança com metade do seu corpo para fora do carro. Mesmo escutando os clamores da mãe, não se importa com aquele motivo e cruelmente arrasta por 15 quilómetros a pequena criança. Crime bárbaro, revoltante, realizado por um menor.
No outro dia em TODOS os jornais esse fato vira notícia. O clamor da globo e de suas companheiras televisivas está em entender porque um jovem que comete tal crime não pode ser morto pelo Estado ou passar o resto da sua vida na cadeia. Antropólogos, cineastas e cientistas sociais dão sua opinião sobre o fato e claro, Arnaldo Jabor no jornal da noite culpa Lula pelo omissão no assassinato no menino.
O menor que matou o menino, descreve friamente o acontecido e termina seu depoimento dizendo que foi avisado que o menino estava sendo arrastado, mas gritava a todos que era um "Judas sendo malhado". Quão cruel esse menino, uma barbárie e nenhum pingo de arrependimento???
A questão talvez resida no fato que esse "menor" nunca teve a oportunidade que João Hélio teve, e muito provavelmente foi pelo acúmulo das classes burguesas, como a que os filhos do Roberto Marinho desfrutam nas ruas, ou melhor, nos céus do Rio de Janeiro com seus helicópteros, que o "Menor" secou seus sentimentos e banalizou o seu coração.
A hipocrisia da sociedade economicamente dominante, nos leva a pensar e comentar o fato quando esses dois mundos se encontram. O desejo da primeira é que os favelados morem para sempre em suas favelas, felizes em sues pagodes de final de semana como nos mostra a globo em suas novelas e que a sociedade carioca da elite curta o seu glamour comendo lagosta e longe dos morros. Nunca escutamos, e aí me incluo, os clamores desses jovens e talvez por isso perca a suas sensibilidades para serem ouvidos. Quando pegos pela Polícia baixam a cabeça e dizem "sim senhor !!", quando pegam as suas vítimas e as fazem baixar a cabeça regogizam-se, alimentam-se do seu efêmero poder, do seu pseudo-domínio e de sua breve liberdade....
Matamos o "MENOR" antes dele matar João Hélio, e se vivemos numa sociedade romântica e cristã, perdoemos seus atos, e como Deus mandou amar uns aos outros amemos o menor.
Esse discurso não reverbera porque as análises lineares são mais fáceis de serem divulgadas. Outros menores, outros meninos inocentes e outros crimes bárbaros virão.... porque continuamos matando nossos menores e localizando nossos demónios nas favelas e morros pelo Brasil e invocando os nossos anjos e heróis nas novelas das oito...
segunda-feira, 9 de abril de 2007
Módulo I - Pensar o homem e o conhecimento
Texto de David Hume
David Hume
Nada mais surpreendente do que ver com que facilidade a maioria é governada pela minoria.
É observar ao longo da história a submissão implícita com que os homens sujeitam seus sentimentos e paixões aos de seus governantes.
De que modo se realiza esse prodígio?
Como são os governados que detêm a fôrça (apenas eles, a maioria, não sabem disso!).
Os governantes nada têm por respaldo senão a opinião pública.
É somente na opinião pública que se fundamentam os governos, desde os mais despóticos e militarizados até os mais liberais e populares.
Não é, por isso, estranho o quanto mentem os poderosos com a ajuda dos meios de comunicação.
Sobre o(a) autor(a):
Nascido na Escócia em 1711 - 1776.
Um dos mais célebres filósofos da Época Moderna.
Grande amigo de Adam Smith e Jean Jacques Rousseau.
Fez sua despojada autobiografia, publicada postumamente.
David Hume
Nada mais surpreendente do que ver com que facilidade a maioria é governada pela minoria.
É observar ao longo da história a submissão implícita com que os homens sujeitam seus sentimentos e paixões aos de seus governantes.
De que modo se realiza esse prodígio?
Como são os governados que detêm a fôrça (apenas eles, a maioria, não sabem disso!).
Os governantes nada têm por respaldo senão a opinião pública.
É somente na opinião pública que se fundamentam os governos, desde os mais despóticos e militarizados até os mais liberais e populares.
Não é, por isso, estranho o quanto mentem os poderosos com a ajuda dos meios de comunicação.
Sobre o(a) autor(a):
Nascido na Escócia em 1711 - 1776.
Um dos mais célebres filósofos da Época Moderna.
Grande amigo de Adam Smith e Jean Jacques Rousseau.
Fez sua despojada autobiografia, publicada postumamente.
Reflexão Primeira - É possível conhecer o AMOR?
Amor...
Clarice Lispector
Amor é quando é concedido participar
um pouco mais.
Amor é a grande desilusão
de tudo mais.
Amor é finalmente
a pobreza.
Amor é não ter
inclusive amor
É a desilusão
do que se pensava
que era amor.
Amor não é prêmio
por isso não envaidece.
Não entendo
Clarice Lispector
Não Entendo
Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
A escritora nasceu na Ucrânia, mas viveu no Brasil desde os dois meses de idade. Suas obras mais famosas incluem Laços de Família, A Paixão Segundo G.H. e A Hora da Estrela. Nos textos, Clarice explora a solidão e a incomunicabilidade humana.
Ver mais em http://www.tvcultura.com.br/provocacoes/poesia.asp?poesiaid=390
Clarice Lispector
Amor é quando é concedido participar
um pouco mais.
Amor é a grande desilusão
de tudo mais.
Amor é finalmente
a pobreza.
Amor é não ter
inclusive amor
É a desilusão
do que se pensava
que era amor.
Amor não é prêmio
por isso não envaidece.
Não entendo
Clarice Lispector
Não Entendo
Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
A escritora nasceu na Ucrânia, mas viveu no Brasil desde os dois meses de idade. Suas obras mais famosas incluem Laços de Família, A Paixão Segundo G.H. e A Hora da Estrela. Nos textos, Clarice explora a solidão e a incomunicabilidade humana.
Ver mais em http://www.tvcultura.com.br/provocacoes/poesia.asp?poesiaid=390
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