Esse texto é de um cara identificado como pensador. Na verdade, por conhecê-lo, o pensador é muito mais um observador sensato das situações que lhe incomoda do que um agente revolucionário do conhecimento. Sua virtuosidade está na sensiblidade de identificar o que lhe cerca, e faz isso com músicas, com poesia , com rimo e poesia, algo como um RAP, um rap do que se vive, do que se vê e sobretudo do que se sente ....
Pense, segundo o pensador esse alto pensamento...
Não posso mais sair
pois o açoite do protagonista do jornal,
da tv, da revista, machuca, destrói,
constrói uma massa em ruínas.
Que eleva o pavor, o horror, antipatia.
O aço que nos separa
eleva a grade e transforma a bala
O prédio, o projétil
O relógio, o ódio
O lamentar, o descaso
O perigo, o semáforo
A criança, o pivete
O chiclete, a gilete
O sonhar, o assalto
Dizem assim:
O que vejo aqui do alto?
Os esnóbes, o asfalto
O carro, o "rolex"
O celular, a internet
O conforto, a cidade
O crescer, a faculdade
O que quero e nunca terei
aqui me sinto “o rei”
posso, mando e desmando
não sou demônio e nem santo
mas aos seus pés, não cairei
jamais serei o que espera
este é o início da guerra
que não pedi, mas acatei.
Às vezes sonho, às vezes até reclamo
ao mesmo tempo proclamo, minha República
aqui em cima, longe da vida, longe do mundo
para você sou imundo, sou escória, sou chacina.
Mas para dona Maria ou seu José
sou o pão de cada dia,
tem quem respeite e até admire
o herói da favela, que a vida abomina.
Como julgar uma realidade que não a minha?
leio a miséria e nas entrelinhas,
alguém querendo ajudar.
não sou louco ao pensar que
o rei da favela é minha própria imagem
longe da cela que escolhi habitar.
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