Olá a todos...
Me ocorreu em escrever algo sobre o caso do menino João Hélio agora que a imprensa não expressa mais a sua indignação com a violência exercida sobre essa família e a sociedade brasileira. Parece até romântico, cristão, pensarmos nas influências entre o "bem" e o "mal" no caso da violência nas grandes cidades no Brasil. O menino mal, carioca, nascido e criado em alguma favela do Rio de Janeiro, por sua maldade, por ter pacto com o cão e ser filho do diabo, resolve assaltar alguma família burguesa, de classe média do Rio naquela noite. Passado o túnel, aborda a família, e drogado, não percebe que o menino João Hélio fica preso ao cinto de segurança com metade do seu corpo para fora do carro. Mesmo escutando os clamores da mãe, não se importa com aquele motivo e cruelmente arrasta por 15 quilómetros a pequena criança. Crime bárbaro, revoltante, realizado por um menor.
No outro dia em TODOS os jornais esse fato vira notícia. O clamor da globo e de suas companheiras televisivas está em entender porque um jovem que comete tal crime não pode ser morto pelo Estado ou passar o resto da sua vida na cadeia. Antropólogos, cineastas e cientistas sociais dão sua opinião sobre o fato e claro, Arnaldo Jabor no jornal da noite culpa Lula pelo omissão no assassinato no menino.
O menor que matou o menino, descreve friamente o acontecido e termina seu depoimento dizendo que foi avisado que o menino estava sendo arrastado, mas gritava a todos que era um "Judas sendo malhado". Quão cruel esse menino, uma barbárie e nenhum pingo de arrependimento???
A questão talvez resida no fato que esse "menor" nunca teve a oportunidade que João Hélio teve, e muito provavelmente foi pelo acúmulo das classes burguesas, como a que os filhos do Roberto Marinho desfrutam nas ruas, ou melhor, nos céus do Rio de Janeiro com seus helicópteros, que o "Menor" secou seus sentimentos e banalizou o seu coração.
A hipocrisia da sociedade economicamente dominante, nos leva a pensar e comentar o fato quando esses dois mundos se encontram. O desejo da primeira é que os favelados morem para sempre em suas favelas, felizes em sues pagodes de final de semana como nos mostra a globo em suas novelas e que a sociedade carioca da elite curta o seu glamour comendo lagosta e longe dos morros. Nunca escutamos, e aí me incluo, os clamores desses jovens e talvez por isso perca a suas sensibilidades para serem ouvidos. Quando pegos pela Polícia baixam a cabeça e dizem "sim senhor !!", quando pegam as suas vítimas e as fazem baixar a cabeça regogizam-se, alimentam-se do seu efêmero poder, do seu pseudo-domínio e de sua breve liberdade....
Matamos o "MENOR" antes dele matar João Hélio, e se vivemos numa sociedade romântica e cristã, perdoemos seus atos, e como Deus mandou amar uns aos outros amemos o menor.
Esse discurso não reverbera porque as análises lineares são mais fáceis de serem divulgadas. Outros menores, outros meninos inocentes e outros crimes bárbaros virão.... porque continuamos matando nossos menores e localizando nossos demónios nas favelas e morros pelo Brasil e invocando os nossos anjos e heróis nas novelas das oito...
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