O mundo Moderno se modernizou bastante... Essa "modernização" pressupõe, para o Mundo "moderno", a negação das tradições, dos costumes e de nós mesmos.
Pensamos nessa questão a partir das relações de gênero. No século XIX, homens e mulheres tinham as suas relações permeadas pela hierarquia social, pelo nome de sua família para que a continuidade das famílias fosse assegurada pela união dos herdeiros. A sociedade publicamente demonstrava o seu direito de exclusão para que a hibridez não fosse possível.
Os homens em sua maioria tinham mais problemas de convencimento com os pais da garota do que com ela mesma. O amor era muitas vezes unilateral e o desejo feminino era a servidão aos seus maridos, porque assim eram educadas e assim, na maioria das vezes, concordavam que a sociedade fosse, pois ao serem mães, principalmente de meninas, reproduziam este modelo.
Não podemos afirmar que esses relacionamentos na sociedade Ocidental não fossem contidos de amor, de necessidade do outro, de companheirismo, de uma relação reciproca. Shakespeare já nos relatava as possibilidades do amor no século XV e XVI, e portanto, a questão é que o amor não era uma instituição suficientemente importante para vir, no Oitocentos, em primeiro lugar.
No século XX essa quadro muda, mas não totalmente. O desejo da mulher já não era a estabilidade, a casa, os filhos, as coisas miúdas do dia-dia. A mulher descobre o mundo, descobre a diversidade dos sujeitos, a dinamização das várias sociedades, as culturas, os povos, os monumentos e se encanta por isso. Coisas que somente ao homem era possível, é ofertado para a mulher..
O problema é que o homem concilia a estabilidade pela vontade de conhecer o mundo.
A mulher vai mas não quer mais voltar, o futuro acabou por se tornar a melhor justificativa para o seu presente.. " no futuro vou ter uma família, no futuro vou ter uma casa" e esse futuro sempre é alargado para que nunca chegue.
A questão é que muito dessa nova mulher é formado pela antiga. Seu desejo de amar não foi cerceado e sua busca pelo homem perfeito está presente.
Uma coisa muito interessante ocorreu nesses últimos meses na minha vida. Conheci um cara, o perfeito "macho", que pensa em si, vive os seus valores, tem a sua vida, medo de se apegar e para se proteger, procura viver as relações tão intensamente que consegue vivê-las ao mesmo tempo em que as desprezava. Nunca pensou portanto, em ter uma família, em ser referência de alguém, de estar relacionado com o outro. Seus amigos sempre foram suas relações mais longas e as mulheres sua vivência mais curta.
Esse cara, encontra de maneira inusitada uma menina, uma mulher moderna. Formada, com pós-graduação, com experiência de vida, com conhecimento de outras culturas, ela tem na palavra "liberdade" a tônica da sua vida. Como "nosso" "macho" gosta de viver o momento em sua intensidade e como a mulher moderna só no futuro tem anseios de constituição familiar eles, no primeiro momento, combinam pergeitamente.
Como um Romeu e Julieta Moderno essas duas almas se amam, se gostam, se curtem e se prometem porque percebem que na vida há algo mais do que ser "moderno", que as tradições são válidas e que estar junto é venturoso.
O "nosso macho" se desprende um pouco mais de sua machesa e almeja o sonho outrora feminino de ter uma casinha em algum lugar do nosso planeta e poder compartilhar sua vida com outrem. "Nossa menina" sofre, porque vive o dilema de trocar a essência de sua vida, "a Liberdade" pela "monotonia" de estar em um casa, de ter filhos de ver o futuro encurtado.
A questão é que "liberdade" necessariamente não estabelece relação com ter um relacionamento ou a capacidade de ir e vir. Somos livres em expressar o que sentimos, somos livres por não nos censurarmos, somos livres porque podemos fazer escolha e a dor da liberdade não poder ser maior que a dor do amor.
Camões dizia que o amor é um estar-se preso por vontade, porque essa prisão é uma nova forma de encarar a liberdade.
Este homem e esta mulher cotidianamente se prometem mas não se dispõe a se entender. Ele porque somente vê uma solução radical de estar ou não junto como, se na vida as coisas acontecessem de maneira tão polar; e ela por pensar que há no futuro relações mais fortes e bonitas do que no presente
Talvez assim como Romeu e Julieta, um dos dois tenha que tomar o veneno para o outro entender a carência e a falta na sua vida, da outra vida, mas ao contrário do nosso drama secular, o veneno não é a liberdade, nem a confiança, o veneno está em pensar que o futuro dá conta de resolver todas essas coisas quando na verdade ele é o próprio veneno
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