segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Histórias de um alemão "nazista" na terra dos insetos vagabundos

Não por acaso, de vez em quando esbarramos com estrangeiros em nossa cidade. Italianos, Espanhóis, Argentinos, Portugueses, Noruegueses, dentre outros que habitam nossa cidade e fazem deste lugar sua "2ª casa".
Ontem fui almoçar na casa de uma amiga de minha mãe, e inadivertidamente, os seus vizinhos vieram almoçar conosco, e dentre estes um alemão.
Mais para lá do que para cá, ele senta à mesa e coloca-se a falar das coisas ruins desta terra. Que o prefeito da cidade é um inseto, que o povo brasileiro é vagabundo, que aqui é o último lugar de se investir, que a cultura é de menor importância, e daí por diante...
Escutei aquilo impaciente e calado, realmente muito incomodado, mas, tentando evitar qualquer tipo de conflito, até porque também era convidado.Dentre estas conversas, a mulher do alemão uma nutricionista brasileira, curiosamente, apesar de concordar com seu marido, percebe nosso constrangimento, e querendo mudar o rumo daquela conversa, adverte que quer ir a igreja e fazer um curso. Não obstante a dona da casa questiona se a mulher é católica e ela responde que sim. A dona da casa vira-se para o alemão, vermelho e com os olhos pesados diante de tanto álcool ingerido no corpo e pergunta: você é católico ou nazista? Nossa, imediatamente o alemão abriu os olhos, sua mulher extremamente constrangida pede para que a dona da casa não pergunte isso, e ele como um guerreiro germânico, pergunta se a dona da casa conhece algum judeu? Se já viu pessoas morrerem de fome?? Manda a sua mulher calar a boca e se enfurece...
Notadamente podemos ver o quanto essa questão mais de 50 anos depois ainda incomoda um povo tão marcadamente e intensamente.
A glória de ser alemão ou estrangeiro para aquele rapaz que mal falava português termina no indicativo de ser ou não nazista. Parece que o mundo paira sobre a cabeça deste alemão da Baviera e de seus conterrâneos pertencentes à terra da cerveja, mas também de Hitler (infelizmente).
Precisamos pensar, por outro lado, o quanto sofrido foi este processo para a própria Alemanha que matou muito dos seus, somente pelo fato de não serem pertencentes a uma linhagem ficticiamente não híbrido, a famosa raça pura. De uma Alemanha que também pelos seus como Schindler, salvaram milhares de Judeus em atos nobres, e é extremamente importante entendermos que somos incapazes de compreender a esfera que circundava meados do século XX em que a brutalidade do homem chegou ao seu ápice diante das justificativas injustificáveis de um, mal compreendido, alemão, (austríaco), baixinho de bigode ralo e fala firme.
Ao mesmo tempo é insatisfatório que alguém de fora, um alemão, venha e diagnostique as coisas ruins, nomeei as pessoas e classifique um povo. Façamos igual as cubanos que certa vez um americano chegou pra um grupo de cubanos e começou a falar de Fidel Castro. Um homem o interrompe e diz:"concordo com tudo que você diz, mas somente quem pode falar dele e sobre isto somos nós que somos cubanos". A expressão do ser ou não de determinado espaço compreende também a opinião que temos daqui, de nossa terra. Boa ou ruim, somos nós que podemos falar dela, porque efetivamente, as políticas publicas, o reconhecer-se Potiguar, o "ser daqui" advém do fato não somente de morar aqui, mas de criar laços tradicionais com esta terra, de ter antepassados, de levar consigo uma identidade com o lugar, assim como o fato de ser alemão!
Alemão da Baviera respeitamos muito sua opinião mas o constrangimento de ser nomeado nazista deve ser tão grande quanto ver alguem que é incapaz de entender a cultura do lugar que você escolhe para morar, chamado seu povo de inseto, vagabundo, etc.
Longe de um xenofobismo, antes de tudo é o devido respeito que deve ser dado. A distância do nazismo com seu povo, com ser alemão, é a mesma que deve ser guardada com a cultura deste lugar.
Ser de algum lugar é ter efetivamente, um reconhecimento cultural, espacial e identitário como determinado espaço, por isso, somente por isso, você para sempre continuará um alemão nazista e nós insetos vagabundos, tão respeitados ou não por seu povo e vice-versa.

Gustavo

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Nossos representantes

Esta semana me deparei com a seguinte frase na mais alta casa do legislativo Brasileiro:

"Dedos sujos dos jatinhos do senhor", disse Renan, em referência aos jatos utilizados por Tasso supostamente pagos com dinheiro do Senado. "O jato é meu, tenho dinheiro pra pagar, não é dos que você anda com seus empreiteiros", disse o tucano.

"o jato é meu", "Seus empreiteros", vamos parar e pensar um pouco, nas nossas representações políticas. Um faz questão de dizer que tem um jato, que tem dinheiro, enquanto acusa o outro de viajar em jatos "dos seus empreiteiros", as nossas lideranças políticas são declaradamente os homens mais ricos do nosso país.
Fico imaginando porque Tarso por exemplo, se mobiliza para ajudar os pobres, os miseráveis do Ceará, ou Renan, os humilhados boias frias de Alagoas ou os sem terra do interior do seu Estado. Que ideologia é esta que move homens que tem jato, empreiteros a ganhar menos que um apresentador médio de tv, menos por exemplo que uma aparição de um big brother famoso em uma festa, mas mesmo assim, estar todos os dias em Brasília, isentando-se de suas respectivas profissões e carreiras, família e lazer, para estar em Brasília lutando por um país melhor e mais justo?
Ora, estamos falando de quase 80 % de nossas representações. Coroneis sim, donos de nossos estados, empresários ricos, industriários de sucesso que ainda, na maioria das vezes tem no voto de cabestro e na ignorância popular a garantia de seus votos.
Não é um apologia a pobreza, mas não entendo, e gostaria que realmente me explicasse porque Tarso ou Renan, estão preocupados em gerar emprego e renda para o interior do Nordeste? Que ato de extraordinária dedicação move estes homens para tanto? QUe sacerdócio radial é este, que é acompanhado por Sarney, Antonio Carlos Magalhães que ("alguem" o tenha, Heráclito Forte,Mão Santa, Collor, José Agripino, todos coitadinhos de nosso país que vão doar-se a vida política em atos de extrema generosidade.
Os contratos com suas empresas ou de amigos, o emprego de amigos fastamas curtindo a vida na Espanha, pasta rosa, vantagens pessoais, peculato, isto nada tem haver com ser político no Brasil.
O que os move e a dimensão perpétua do poder, da humilhação que depreendem ao povo brasileiro, ao Status que sustentam. Tenho certeza, que após uma tarde com seus eleitores, cada um deles se lavam com alcool pois não suportam o cheiro fétido do povo que os colocam no poder.
Parabéns Tarso e Renan, os seus jatinhos e os seus empreiteiros continuam ganhando muito dinheiro, mas não esqueçam empregam 100 peões (o que gera emprego e renda) que ganham um salário mínimo e vivem a vida miserável, para que vocês continuem legislando com "ética", decoro ah, quase esqueci e "imparcialidade" tão peculiar a biografia de vocês.
"Muito obrigado!"

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Rativando blog

Olá Amigos
Estamos reativando o blog, agora contará com as participação de outras pessoas com artigos diversos. Amigos estejam convidados a participar registrando seus pensamentos e gerando conhecimento....
Abraço
A todos
Gustavo